ANÁLISE: Ciro Nogueira não tem condições morais de seguir como senador

Do ponto de vista criminal, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) é apenas um investigado na Operação Compliance Zero. Portanto, é inocente aos olhos da lei e tem...

ANÁLISE: Ciro Nogueira não tem condições morais de seguir como senador
ANÁLISE: Ciro Nogueira não tem condições morais de seguir como senador (Foto: Reprodução)

Do ponto de vista criminal, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) é apenas um investigado na Operação Compliance Zero. Portanto, é inocente aos olhos da lei e tem direito à presunção de inocência. Pode até chegar ao fim do processo e ser absolvido como tantos outros políticos jogados precocemente na fogueira do pré-julgamento. Mas, do ponto de vista político, cuja lógica não se submete ao ritmo judicial, Ciro Nogueira (PP-PI) não reúne condições morais de seguir como senador da República. 📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 no WhatsApp As acusações de corrupção — cujos indícios são muito fortes — ainda carecem de mais investigação e provas. Mas há um ato de ofício que já está provado. Ciro apresentou a emenda nº 11 à PEC nº 65/2023 ampliando a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. "A medida sextuplicaria o negócio do Master e provocaria verdadeira "hecatombe no mercado", define a decisão do ministro relator da investigação no STF, André Mendonça. LEIA TAMBÉM 'Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?': PF aponta pagamento de 'mesada' de Vorcaro a Ciro Nogueira O que dizia a Emenda Master, que levou senador Ciro Nogueira a ser alvo de buscas na Operação Compliance Zero STF aponta uso de empresas da família Vorcaro para ocultar repasses de até R$ 500 mil a Ciro Nogueira Em resumo: ao apresentar a emenda, Ciro permitiu a captura de seu mandato por interesses privados que ele ocultou. Só isso bastaria como prova de ofensa ao decoro parlamentar. Mas a história fica ainda pior. A polícia apresentou ao ministro André Mendonça provas de que o texto foi elaborado pela assessoria do Banco Master. Segundo decisão do ministro André Mendonça, "o texto foi impresso e entregue em envelope endereçado a “Ciro', no endereço residencial do senador. Ainda de acordo com a Polícia Federal, o conteúdo da versão entregue é “reproduzido de forma integral pelo parlamentar” ao Senado, tendo o banqueiro Vorcaro afirmado,logo após a publicação da proposta de emenda, que o ato legislativo “saiu exatamente como mandei”. Em resumo: Ciro Nogueira usou o Senado para atingir o sistema bancário e financeiro do país. Isso é grave demais. Os bancos sérios iam pagar pelas fraudes de Vorcaro. Ciro teve comportamento incompatível com a dignidade parlamentar. Há conflito de interesses;captura privada da atividade legislativa e uso indevido do mandato. Ciro usou as prerrogativas parlamentares para beneficiar interesses ocultos e privados. Na prática, o cargo de senador era do Ciro, mas quem exercia o mandato era Vorcaro. Um atentado ao decoro parlamentar. É importante ressaltar que um parlamentar pode redigir projetos com ajuda externa para beneficiar setores da sociedade. Mas tudo tem que ser transparente. E não foi isso que Ciro fez. O Senado deve uma explicação à sociedade. Afinal, foram senadores que analisaram se o advogado Jorge Messias tinha reputação ilibada para ocupar uma cadeira no STF. Não há contra Messias nada que desabone sua conduta e, mesmo assim, teve 42 votos contrários. Senadores também devem ter reputação ilibada. Neste caso, nem o senador de direito, Ciro, nem o senador de fato, Vorcaro, têm esses predicados.