Após 20 anos, pesquisa mostram que Amazônia se recupera do fogo, mas não volta igual

Fogo consome terras recentemente desmatadas e queimadas por pecuaristas perto de Novo Progresso, no Pará, em 23 de agosto de 2020. Incêndio e desmatamento na ...

Após 20 anos, pesquisa mostram que Amazônia se recupera do fogo, mas não volta igual
Após 20 anos, pesquisa mostram que Amazônia se recupera do fogo, mas não volta igual (Foto: Reprodução)

Fogo consome terras recentemente desmatadas e queimadas por pecuaristas perto de Novo Progresso, no Pará, em 23 de agosto de 2020. Incêndio e desmatamento na Amazônia, na região Norte do Brasil. Andre Penner/AP Depois de enfrentar incêndios, secas extremas e até vendavais durante 20 anos de monitoramento, uma área da Amazônia voltou a ficar coberta por floresta. Mas quem reapareceu não foi exatamente a mesma mata que existia antes. 📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram Essa é a principal conclusão de um estudo publicado na revista científica PNAS, que acompanhou entre 2004 e 2024 uma floresta na transição entre a Amazônia e o Cerrado, em Mato Grosso. Os pesquisadores analisaram como a vegetação respondeu a queimadas experimentais, secas severas e eventos de vento intenso ao longo de duas décadas. Os resultados mostram que, quando os incêndios deixam de ocorrer, a floresta consegue recuperar sua estrutura, especialmente no interior da mata. Nas bordas, onde os efeitos do fogo e da proximidade com áreas agrícolas são maiores, a recuperação é mais lenta. Veja mais notícias do Terra da Gente, no g1: HABITAT: O refúgio inesperado do tuiuiú fica longe do Pantanal e está em Minas Gerais IMPRESSIONANTE: Urubu tenta comer carcaça, se desequilibra e é flagrado 'girando' jacaré na água NIQUIM: Peixe peçonhento brasileiro ajuda a entender o sistema imunológico A floresta não retorna à condição original Segundo os pesquisadores, espécies especializadas da Amazônia continuam diminuindo, enquanto árvores generalistas — capazes de ocupar diferentes ambientes — tornam-se mais abundantes. O resultado é uma floresta funcional, mas com uma composição diferente da observada antes das perturbações. Outro resultado chamou a atenção da equipe. Veja o que é destaque no g1: Agora no g1 Após os incêndios, gramíneas invasoras ocuparam as bordas da floresta, favorecidas pela abertura do dossel e pelo aumento da entrada de luz. Com o fim das queimadas, porém, as copas das árvores voltaram a fechar e a cobertura de gramíneas diminuiu gradualmente, restando apenas pequenas áreas ocupadas principalmente por espécies tolerantes à sombra. Mudanças na Amazônia Castanheira-Do-Pará (Bertholletia excelsa) na Amazônia hirosho / iNaturalist O estudo também traz evidências de que a área degradada não evoluiu para uma vegetação semelhante ao Cerrado, como algumas hipóteses sugeriam. Em vez disso, os pesquisadores observaram uma floresta que permanece resiliente, mas dominada por espécies mais generalistas e menos por espécies típicas da Amazônia. Os autores ressaltam, no entanto, que essa recuperação depende da interrupção das perturbações. Caso novos incêndios ocorram com frequência ou os eventos climáticos extremos se intensifiquem, a floresta pode voltar a se degradar e comprometer sua recuperação no longo prazo. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente