Bolsonaro pode manter armas, mesmo em prisão domiciliar? Entenda o que diz a lei

Arma atribuída a Bolsonaro é apreendida com militar em blitz no DF Uma arma registrada no nome de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília, ...

Bolsonaro pode manter armas, mesmo em prisão domiciliar? Entenda o que diz a lei
Bolsonaro pode manter armas, mesmo em prisão domiciliar? Entenda o que diz a lei (Foto: Reprodução)

Arma atribuída a Bolsonaro é apreendida com militar em blitz no DF Uma arma registrada no nome de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília, levou o Supremo Tribunal Federal (STF) a cobrar explicações da defesa do ex-presidente nesta terça-feira (16). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. O item foi apreendido com um militar durante uma blitz da Polícia Militar em Brasília. Consulta ao sistema Sigma, do Exército Brasileiro, confirmou que a arma está vinculada ao ex-presidente. Mas... Bolsonaro poderia ter uma arma em casa? Pela legislação brasileira, não há proibição automática para que um condenado em prisão domiciliar mantenha arma legal em casa. ➡️ Bolsonaro cumpre atualmente pena em regime de prisão domiciliar humanitária, medida autorizada pelo STF em razão de seu estado de saúde. Entretanto, o juiz responsável pelo caso pode impor restrições – e a posse pode ser considerada irregular se contrariar as condições fixadas pela Justiça. O que diz a lei? A principal lei em vigor sobre o tema é o Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/2003). Ela permite que um cidadão tenha arma dentro de casa, desde que: esteja registrada no nome dele; tenha autorização da Polícia Federal (PF). Já a lei da prisão domiciliar não fala expressamente sobre armas. O advogado Gustavo Sampaio explica que, em tese, Bolsonaro pode ter, sim, uma arma de fogo em casa: "Não há expressa vedação na lei a que o apenado tenha uma arma no interior de sua casa, o que é permitido por nossa legislação, desde que a dita arma seja legalizada e de posse permitida ao particular. Pode o órgão judicial, contudo, vedar, por determinação autônoma, que esta posse subsista, mas a priori não se verifica proibição", explica. 🔎 Na decisão judicial que condenou Jair Bolsonaro, não consta ordem de entrega de armas de fogo pelo ex-presidente. Proposta no Congresso Um projeto de lei apresentado pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM) propõe alterar o Estatuto do Desarmamento para proibir a posse de armas por pessoas em prisão domiciliar. A proposta foi apresentada em 2022, depois que o ex-deputado Roberto Jefferson reagiu a uma ordem de prisão domiciliar e disparou contra policiais federais na própria casa, no interior do Rio de Janeiro. O objetivo do projeto é evitar situações em que investigados ou condenados tenham acesso a armas dentro de casa, reduzindo riscos para agentes públicos e para o próprio cumprimento da medida judicial. Apesar disso, o texto nunca foi votado e segue sem avanço no Congresso. A legislação continua sem prever de forma expressa essa proibição, deixando a decisão caso a caso nas mãos da Justiça. LEIA MAIS: Arma de Bolsonaro é apreendida com militar em blitz no DF Arma apreendida com militar no DF está registrada no nome de Bolsonaro, diz decisão de Moraes Glock 9mm: qual é e como funciona o modelo da arma de Bolsonaro apreendida no DF Em nota, a Polícia Militar afirmou que o militar do Exército estava com duas armas, uma institucional e outra que estava sem a documentação no local. Por não estar com o Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF), a conduta foi considerada, pela Polícia Civil, como irregular, conforme a Lei 10826/2003. Estácio Leite da Silva Filho foi levado para a 21ª Delegacia de Polícia e depois foi liberado. A 17ª DP deve investigar o caso. Não há informação sobre quem entregou a arma atribuída a Bolsonaro ao militar. O g1 tenta contato com a defesa do ex-presidente e de Estácio Leite da Silva Filho. A abordagem Jair Bolsonaro EPA via BBC A PM disse que a abordagem foi realizada na noite de segunda-feira (15), na DF-001, em Taguatinga. O militar do Exército Brasileiro conduzia um veículo oficial. No veículo, foram encontradas: uma arma institucional regularmente portada; uma segunda arma de fogo no interior do veículo. O homem informou não possuir a documentação e declarou que o armamento pertenceria a outra pessoa. Segundo apurado pela TV Globo, o homem disse, no boletim de ocorrência, que o armamento pertencia a Bolsonaro e se identificou como sargento do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Ainda segundo o boletim de ocorrência, o homem disse que o armamento foi entregue para ele por causa de uma pane. Ele relatou aos policiais que retirou a arma na segunda (15), para fazer o reparo necessário, e que ela seria devolvida nesta terça-feira (16). O que diz a PM "A Polícia Militar do Distrito Federal informa que, durante abordagem realizada na madrugada desta segunda-feira (15), na DF-001, Km 79, em frente ao Tag Park, em Taguatinga, um militar do Exército Brasileiro que conduzia veículo oficial foi encaminhado à 21ª Delegacia de Polícia após ser encontrada, além da arma institucional regularmente portada, uma segunda arma de fogo no interior do veículo. Durante a ocorrência, o abordado informou não possuir a documentação da segunda arma e declarou que o armamento pertenceria a terceiro. Diante dos fatos, a arma e o condutor foram conduzidos à 21ª DP. A identificação da propriedade, origem, regularidade e eventual vinculação da arma apreendida a qualquer pessoa dependerá da análise dos órgãos competentes, especialmente das autoridades responsáveis pela investigação." O que diz o GSI "Sobre o assunto, informamos que o GSI não realiza a segurança de ex-Presidentes, incluindo o senhor Jair Messias Bolsonaro. Os servidores à disposição dos ex-Presidentes são de livre indicação dos mesmos e não estão subordinados nem vinculados operacionalmente ao GSI, conforme dispõem a Lei Nº 7.474, de 8 de maio de 1986, e o Decreto Nº 6.381, de 27 de fevereiro de 2008. Informamos ainda que, de acordo com o decreto supramencionado, o GSI oferece a capacitação e a avaliação de servidores e de condutores de veículos, que integram a segurança dos ex-Presidentes da República. (Portaria GSI/PR Nº 136, de 20 de setembro de 2024)." Agora no g1 Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.