Brasil deve ser um dos países mais beneficiados pelo acordo Mercosul-União Europeia
Brasil deve ser um dos países mais beneficiados pelo acordo Mercosul-União Europeia O Brasil deve ser um dos países mais beneficiados pelo acordo entre o Mer...
Brasil deve ser um dos países mais beneficiados pelo acordo Mercosul-União Europeia O Brasil deve ser um dos países mais beneficiados pelo acordo entre o Mercosul e a União Europeia. Mas especialistas e setores da economia ouvidos pelo Jornal Nacional defendem cautela - e mais negociação. Parecia uma tempestade perfeita, mas as tarifas de Trump sobre produtos brasileiros e europeus acabaram criando o clima para a assinatura do maior acordo de livre comércio da história, uma negociação de quase duas décadas. Especialistas dizem que, após a assinatura, o acordo deve inaugurar um novo mapa-múndi para o comércio internacional. Com um mercado de 270 milhões de consumidores na América do Sul e 450 milhões na Europa, ganham espaço os produtores sul-americanos de carne, açúcar, arroz, mel e soja. O Brasil avança com as exportações de café, suco de laranja, milho, algodão, celulose, frutas tropicais, minério de ferro, etanol e biodiesel. Da Europa, devem chegar contêineres com automóveis, máquinas, bebidas alcoólicas, chocolate, azeite e queijos. Oportunidades e desafios para os dois lados, na avaliação da professora de Relações Internacionais do Ibmec. "A adoção dessas últimas salvaguardas, que foram necessárias para que o acordo fosse aprovado pela União Europeia, diminuíram um pouco os ganhos para o agronegócio brasileiro, mas, de maneira geral, é um acordo que beneficia os dois blocos", pontua Marcela Franzoni, professora de Relações Internacionais do Ibmec. Produtores de proteína animal do Mercosul ganham prioridade no mercado europeu. "O Brasil complementa a indústria local com aquilo que eles não têm. Ponto especial, por exemplo, no frango: é o peito de frango que vai para lá; ele vai criar mais valor e o Brasil terá, assim, oportunidades de fazer produtos com valor agregado", afirma Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). A Europa compra hoje o grão verde do café do Brasil, que não é tarifado. Com o acordo, as marcas industrializadas podem chegar aos cafés europeus num horizonte de quatro anos. "As exportações de café solúvel sofrem com a concorrência do café vietnamita. Por quê? O Vietnã fez acordo comercial com a União Europeia e, para ele, o café solúvel já é 0%. Então a gente ganha isonomia nesse grande mercado", destaca Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé. O presidente Lula disse que o acordo é uma sinalização em favor do comércio internacional como fator para o crescimento econômico, com benefícios para os dois blocos. O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, reforçou o compromisso do Brasil com um dos pontos do acordo: a preocupação com o meio ambiente. "Um dos avanços desse acordo é a sustentabilidade. Estamos assumindo aí compromissos importantes no combate às mudanças climáticas. E o Brasil tem esse compromisso", afirma Alckmin. Não é para já, mas essa aproximação histórica da Europa pode trazer para consumidores brasileiros uma prateleira de produtos importados maior e mais acessível. De chocolate e vinho a carros. E não só: na avaliação dos economistas, com o mar aberto para investimentos europeus em empresas sul-americanas, ganhamos emprego e renda. "Para cada um bilhão de reais exportado, são gerados no Brasil cerca de 21 mil empregos", diz Frederico Lamego, superintendente de Relações Internacionais da CNI. Mas o acordo só não basta, na avaliação da Confederação Nacional da Indústria. "Precisa também criar uma agenda forte de redução do Custo Brasil, para que esses investimentos de fato venham e se traduzam aí num aumento da nossa competitividade sem risco para outros setores produtivos."