Brasileiro de 23 anos que sumiu após se alistar no exército da Rússia viu anúncio em rede social, diz família

Rússia ataca Ucrânia enquanto negocia a paz O brasileiro Chairon Vitor Sepulvida, de 23 anos, se alistou no exército da Rússia por meio de um "canal de alis...

Brasileiro de 23 anos que sumiu após se alistar no exército da Rússia viu anúncio em rede social, diz família
Brasileiro de 23 anos que sumiu após se alistar no exército da Rússia viu anúncio em rede social, diz família (Foto: Reprodução)

Rússia ataca Ucrânia enquanto negocia a paz O brasileiro Chairon Vitor Sepulvida, de 23 anos, se alistou no exército da Rússia por meio de um "canal de alistamento" em um aplicativo de mensagens, de acordo com a mãe do jovem. Ele está desaparecido desde julho de 2025, quando entrou em contato com a família pela última vez. O Itamaraty acompanha o caso. A mãe de Chairon, Charlaenne Sepulvida, explicou que o filho viu um anúncio do alistamento no Instagram. Os responsáveis pelo canal o aliciaram a se juntar às forças armadas russas na linha de frente do conflito com a Ucrânia. ✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp "Ele conheceu um canal de alistamento e foi aliciado a ir [para a Rússia] como mecânico de armas, que é a formação dele no Exército Brasileiro", contou a mãe. 🔍 A Rússia está em guerra contra a Ucrânia desde fevereiro de 2022, quando o presidente russo Vladimir Putin autorizou uma ofensiva militar contra o território ucraniano. Desde então, a guerra provocou milhares de mortes, milhões de refugiados e intensos combates, especialmente no leste e sul do país. Charlaenne enviou uma captura de tela que mostra o convite para entrar no canal. O g1 optou por não divulgar a imagem na reportagem. A descrição diz que a plataforma reúne informações para o alistamento no exército da Rússia por contrato e alega que os interessados, homens e mulheres, precisam ter entre 18 e 60 anos e um passaporte brasileiro. Último contato Brasileiro que se alistou no exército da Rússia teve último contato com a família há 7 meses: 'falava que lá é o inferno' Arquivo Pessoal Segundo a mãe de Chairon, a família não tem notícias do jovem desde 15 de julho de 2025. O último registro oficial na base de dados da Federação Russa, no entanto, seria do dia 30 daquele mês. "O e-mail que eu recebi do Itamaraty fala que ele se apresentou no dia 30 [de julho], no batalhão, ao comandante. Ele tinha se apresentado, mas estava com a ausência desconhecida há mais de 30 dias", explicou a mãe. No último contato, Chairon contou à mãe que participaria de um "assalto", como são conhecidos os ataques destinados a romper defesas inimigas ou a conquistar um objetivo previamente definido. "Ele falava pra mim que lá é o inferno, eu falava pra ele 'então volta' e ele falava que não podia desistir, não podia voltar. Deserção do exército é um crime grave, então ele não podia desistir. Na última vez que ele falou comigo, ele falou pra mim que ia pro front, que ia participar de um assalto no front e tava saindo pra missão", relembrou Charlaenne. Em 18 de dezembro, os familiares receberam informações não confirmadas de que Chairon estaria em uma lista de mortos. A mulher tenta arrecadar dinheiro para ir até a Rússia em busca de informações oficiais sobre o jovem e realiza uma campanha nas redes sociais. "A gente se falava diariamente. O máximo que a gente ficava sem se falar era cinco dias, uma semana. Aí ele voltava e dizia 'mãe, voltei da missão, tô bem'. Ele tava sempre entrando em contato comigo. Eu tenho uma foto do passaporte dele, do certificado dele de militar da Federação Russa. Ele fez um curso de língua para poder falar lá, comunicar com os outros soldados. Mandou a foto do certificado para mim", relembrou a mãe. "O que eu quero é uma resposta, boa ou ruim. Eu quero saber o que aconteceu. Eu quero ter a certeza. Porque eu e minha família, a gente está vivendo um luto incerto e doloroso. Quando você começa a ter esperança de alguma coisa, você, ao mesmo tempo, perde. Meu filho não ia ficar seis, sete meses, sem me dar uma notícia se não tiver acontecido algo com ele", afirmou Charlaenne. Itamaraty acompanha o caso O Ministério das Relações Exteriores, por meio da Embaixada do Brasil em Moscou, informou ao g1 que está em contato com a família do brasileiro e que presta a "assistência consular cabível". O g1 também buscou o Exército Brasileiro, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem. Em novembro, a embaixada do Brasil em Moscou publicou um alerta contra o alistamento voluntário de brasileiros em forças armadas estrangeiras, devido ao aumento do número de brasileiros mortos ou que tiveram dificuldade para interromper a participação no Exército. Confira a nota completa do Itamaraty: O Ministério das Relações Exteriores, por meio da Embaixada do Brasil em Moscou, está em contato com a família do brasileiro e presta a assistência consular cabível. A atuação consular do Brasil pauta-se pela legislação internacional e nacional. Nota-se que a prestação de assistência consular em situações que envolver nacionais engajados em forças armadas de terceiros países apresenta especificidades, inerentes às obrigações contraídas no ato de alistamento e as circunstâncias no terreno de operações. Em atendimento ao direito à privacidade e em observância ao disposto na Lei de Acesso à Informação e no decreto 7.724/2012, o Ministério das Relações Exteriores não divulga Informações pessoais de cidadãos que requisitam serviços consulares e tampouco fornece detalhes sobre a assistência prestada a brasileiros. Informa-se que o Ministério das Relações Exteriores publicou alerta recente sobre a participação de combatentes brasileiros em conflitos armados em terceiros países. Brasileiro que se alistou no exército da Rússia teve último contato com a família há 7 meses: 'falava que lá é o inferno' Arquivo Pessoal VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube