Daniel Lopes junta Noel Rosa, Fausto Fawcett, Jorge Vercillo e IA na pista do álbum 'Já que veio, fica para dançar'
Daniel Lopes (à esquerda) recicla a gravação do samba 'Com que roupa?', feita em 1930 por Noel Rosa (1910 –1937), no fecho do álbum 'Já que veio, fica pra dança...
Daniel Lopes (à esquerda) recicla a gravação do samba 'Com que roupa?', feita em 1930 por Noel Rosa (1910 –1937), no fecho do álbum 'Já que veio, fica pra dançar'
Marcelo Camelo / Reprodução / Montagem g1
♫ NOTÍCIA
♬ Quase um século atravessa a gravação do samba “Com que roupa?” – composto em 1929 e gravado em 1930 pelo autor, Noel Rosa (1910 – 1937) – e a edição do álbum “Já que veio, fica pra dançar”, do compositor, produtor musical e multi-instrumentista carioca Daniel Lopes. Pois a gravação de “Com que roupa?” com Noel é reciclada no arremate do álbum lançado ontem, 16 de outubro, em edição independente do artista.
Residente há três anos em Lisboa, capital de Portugal, Daniel Lopes manda de além-mar um álbum que recorre às ferramentas da inteligência artificial – como na formatação do samba “Eclipse total”, no qual figura o cibernético carioca Fausto Fawcett – sem abrir mão de alguns encontros presenciais entre as conexões digitais.
Se há organicidade no canto de Chico Chico, autor e convidado da canção “E tudo mais”, há IA na criação dos arranjos de músicas como “Amor, mistério e dor”, composição de Luís Carlinhos e Bruno Levinson encorpada com vozes artificiais.
Ao longo das 15 faixas do álbum “Já que veio, fica pra dançar”, Daniel Lopes promove encontros com Anna Ratto (na canção “Quero saber”), Lia Sabugosa – intérprete do hino geracional “Como nossos pais” (Belchior, 1976), lançado há 50 anos – e Jorge Vercillo, presente em “Quatro elementos”, música que se afina pela temática espiritualista com “Paz na terra”, canção composta e interpretada por João Viana.
Já “Moacir in blues” cruza tempo e espaço para conectar o saxofonista Moacir Silva (1940 – 2002) com o neto do músico, o baixista Jorge Ailton.
Antes de migrar para Portugal, onde desenvolve projetos musicais para os mercados europeu e brasileiro, Daniel Lopes foi líder da banda Reverse ao longo dos anos 2000 e integrou o trio Les Pop, com o qual legou um dos grandes discos da cena indie dos anos 2010, “Quero ser cool” (2011), lançado há 15 anos. Paralelamente, Daniel Lopes também construiu discografia solo que rendeu álbuns como “Bonito” (2012) e “Input relâmpago” (2014).
Capa do álbum 'Já que veio, fica pra dançar', de Daniel Lopes
Divulgação