Doença de Chagas no Amapá: entenda como funciona a contaminação pelo barbeiro
Especialistas explicam a transmissão da doença de Chagas que já provocou 2 mortes no Amapá A Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS) do Amapá conf...
Especialistas explicam a transmissão da doença de Chagas que já provocou 2 mortes no Amapá A Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS) do Amapá confirmou que o Amapá vive um surto da doença de Chagas, 2 mortes confirmadas e 1 em investigação. Mais do que os números, especialistas explicam como o inseto barbeiro atua e de quais formas a contaminação pode acontecer. A transmissão não ocorre apenas pelo consumo de açaí, mas também por outros alimentos e pelo contato com fezes do inseto infectado. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AP no WhatsApp No laboratório da Universidade Federal do Amapá (Unifap), pesquisadores mantêm uma coleção de barbeiros para estudo. É nesses insetos onde pode estar o parasita responsável pela doença. O entomologista Raimundo Nonato Souto explica que a principal forma de transmissão na Amazônia é a oral. "A transmissão mais evidente é a transmissão oral. Inclusive na Amazônia existe um trabalho muito interessante do professor Aldo Valente, do Instituto Evandro Chagas, que constatou que a transmissão na região é prevalentemente oral, principalmente através do açaí." Entomologista do Amapá Raimundo Nonato Souto. João Pantoja/Rede Amazônica Inseto silvestre que se adapta às cidades Segundo os pesquisadores, embora o transmissor seja um inseto típico de áreas rurais, o barbeiro pode se aproximar das cidades. "Em áreas urbanas, ele não é um inseto comum como os mosquitos. É silvestre, mas se adapta muito bem às habitações humanas, especialmente em locais próximos a áreas de mata" , explica Raimundo Souto. O barbeiro não transmite a doença diretamente pela picada. O risco está no contato com as fezes do inseto infectado. "Na realidade, o veículo de transmissão é via fezes. A picada é apenas para ele se alimentar de sangue. O lugar que ele pica provoca coceira, a pessoa coça e leva as fezes para o local da picada, contaminando através dos vasos periféricos", detalha o entomologista. LEIA MAIS: SVS e MP investigam locais de contaminação após mortes por doença de Chagas no Amapá Casos de doença de Chagas acendem alerta no Amapá; veja recomendações Saiba identificar os sintomas e como se prevenir da doença de Chagas no Amapá Animais silvestres como hospedeiros Outra forma do inseto contrair o parasita, segundo os especialistas, é quando se alimentam do sangue de animais já infectados. "Existem animais da fauna neotropical que servem de hospedeiros, como marsupiais e tatus. Uma vez infectados, permanecem assim para sempre. O barbeiro sadio se alimenta do sangue e acaba ingerindo a forma infectante" , afirma Raimundo. A bolsista da Unifap Noemia do Carmo lembra que outros alimentos também podem ser contaminados. "As pessoas costumam imaginar que somente o açaí é o principal alimento contaminado, mas também temos a bacaba, caldo de cana e frutas que, sem higienização correta, podem ser batidas junto com o alimento e contaminar a população", declarou. Bolsistas da Unifap pesquisam sobre inseto que transmite a doença de chagas no Amapá João Pantoja/Rede Amazônica Segundo a SVS, em março foram registrados 8 casos da doença. Em 2026, já são 20 confirmações. A gerente do Centro de Informações Estratégicas, Solange Costa, reforça que a prevenção é fundamental. "Nossa orientação é que as pessoas comprem o alimento em locais seguros, que adotem medidas higiênico-sanitárias. O branqueamento do açaí, processo que leva a polpa a altas temperaturas, é essencial para eliminar o protozoário e garantir consumo seguro", falou. Pesquisadores da Unifap estudam o inseto barbeiro, que transmite a doença de Chagas João Pantoja/Rede Amazônica Pesquisadores da Unifap estudam o inseto barbeiro, que transmite a doença de Chagas João Pantoja/Rede Amazônica Veja o plantão de últimas notícias do g1 Amapá VÍDEOS com as notícias do Amapá: