Lula chama invasão da Venezuela pelos EUA de falta de respeito e diz que América Latina não vai baixar a cabeça para ninguém

Lula critica invasão dos EUA na Venezuela e diz que América Latina não vai baixar a cabeça O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou a invasão da...

Lula chama invasão da Venezuela pelos EUA de falta de respeito e diz que América Latina não vai baixar a cabeça para ninguém
Lula chama invasão da Venezuela pelos EUA de falta de respeito e diz que América Latina não vai baixar a cabeça para ninguém (Foto: Reprodução)

Lula critica invasão dos EUA na Venezuela e diz que América Latina não vai baixar a cabeça O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou a invasão da Venezuela pelos Estados Unidos de falta de respeito e disse que a América Latina não vai baixar a cabeça para ninguém. "Eu fico toda noite indignado com o que aconteceu na Venezuela, eu não consigo acreditar. [...]Como é possível a falta de respeito à integridade territorial de um país. Não existe isso na América do Sul, a América do Sul é um território de paz. A gente não tem armas nucleares, a gente não tem bomba atômica, a gente só tem gente pobre que quer trabalhar e quer viver, que quer comer, quer almoçar, quer jantar, quer estudar", afirmou. "A gente não tem arma, mas a gente tem caráter e dignidade e a gente não vai abaixar a cabeça pra ninguém. Quem quer que seja, a gente vai conversar olho no olho de cabeça em pé respeitando o povo brasileiro e a nossa soberania. Isso vale para todos os países do mundo", disse Lula. O presidente também afirmou que o mundo vive um momento “muito crítico” do ponto de vista político e disse que a Carta das Nações Unidas (ONU) está sendo “rasgada”, com a prevalência da chamada “lei do mais forte” nas relações internacionais. Segundo Lula, o cenário global tem sido marcado pelo enfraquecimento do multilateralismo e pelo avanço de posturas unilaterais, fenômeno que, na avaliação dele, se reflete tanto em crises recentes na América Latina quanto em mudanças políticas em países centrais. Lula durante discurso Ricardo Stuckert / PR “Estamos vivendo um momento muito crítico na política mundial. O multilateralismo está sendo jogado fora pelo unilateralismo. Está prevalecendo a lei do mais forte. A Carta da ONU está sendo rasgada”, afirmou o presidente. Lula citou episódios políticos recentes em países da América Latina, como Chile, Venezuela, Paraguai, Equador, Costa Rica e Honduras, além da eleição do presidente Donald Trump nos Estados Unidos, como parte de um contexto mais amplo de instabilidade democrática. Para o presidente, o cenário atual contraria a agenda de reformas defendida pelo Brasil desde seu primeiro mandato, em 2003, especialmente a ampliação do Conselho de Segurança da ONU com a entrada de novos países. “Em vez de corrigir a ONU, como a gente reivindica desde 2003, com a entrada de novos países — como México, Brasil e países africanos — o que está acontecendo é que o presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU, como se ele sozinho fosse o dono da ONU”, disse. Lula também afirmou que o contexto internacional exige atenção especial do Brasil em 2026, ano de eleições no país, diante do que classificou como riscos à democracia em diferentes partes do mundo. Defesa do multilateralismo O presidente afirmou que tem intensificado contatos diplomáticos nas últimas semanas em uma tentativa de articular uma reação internacional ao enfraquecimento do multilateralismo. Segundo Lula, ele conversou por telefone com líderes de diferentes países e blocos políticos, incluindo potências globais e nações da América Latina. “Eu estou há uma semana telefonando para países do mundo inteiro”, disse. O presidente citou conversas com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, com o presidente da China, Xi Jinping, com o primeiro-ministro da Índia, além de diálogos com líderes da Hungria e do México, entre outros. De acordo com Lula, o objetivo dessas conversas é avaliar a possibilidade de uma reunião internacional que reafirme o compromisso com o multilateralismo e evite que as relações entre países passem a ser regidas pela força militar, pela intolerância ou por imposições unilaterais. O presidente também afirmou que a política externa brasileira não se baseia em alinhamentos exclusivos. Segundo ele, o Brasil busca manter relações diplomáticas com diferentes países, independentemente de orientações ideológicas ou disputas geopolíticas. “O Brasil quer ter relação com os Estados Unidos, quer ter relação com Cuba, quer ter relação com a China, quer ter relação com a Rússia. A gente não tem preferência”, afirmou. Lula ressaltou, no entanto, que o país não aceita relações de subordinação. “O que a gente não aceita mais é voltar a ser colônia para alguém mandar na gente”, disse. Críticas a Trump Lula afirmou que não defende confrontos armados e criticou discursos que exaltam o poder militar como instrumento de intimidação no cenário internacional. Sem citar diretamente os Estados Unidos em alguns momentos, Lula fez referência a declarações recentes do presidente Donald Trump sobre a superioridade das Forças Armadas americanas. “Eu não quero guerra. Eu sou um homem da paz”, disse Lula. Segundo ele, discursos que enfatizam força bélica — como menções a exércitos, armamentos e tecnologias militares — reforçam uma lógica de intimidação que não contribui para a estabilidade global. O presidente contrastou esse tipo de discurso com a realidade das Forças Armadas brasileiras. Disse que o Brasil não disputa poder com grandes potências militares e que sequer dispõe de recursos abundantes para treinamento e manutenção. “Eu não quero fazer guerra armada com os Estados Unidos, com a China, com a Rússia, nem com o Uruguai, nem com a Bolívia”, afirmou. Para Lula, o caminho defendido pelo Brasil é o da diplomacia e do diálogo. Ele disse que prefere o que chamou de “guerra do convencimento”, baseada em argumentos, narrativas e no fortalecimento da democracia. “O que eu quero é fazer guerra com o poder do convencimento, com argumento, mostrando que a democracia é imbatível”, disse. Segundo o presidente, a cooperação e o compartilhamento de experiências positivas entre países são mais eficazes do que a imposição de força.