Midterms 2026: como é a apuração das eleições nos EUA e quando sai o resultado?

EUA se preparam para as eleições de meio de mandato Milhares de eleitores vão às urnas nos Estados Unidos, nesta terça-feira (3), para as eleições de meio de ma...

Midterms 2026: como é a apuração das eleições nos EUA e quando sai o resultado?
Midterms 2026: como é a apuração das eleições nos EUA e quando sai o resultado? (Foto: Reprodução)


EUA se preparam para as eleições de meio de mandato Milhares de eleitores vão às urnas nos Estados Unidos, nesta terça-feira (3), para as eleições de meio de mandato. Existe uma grande expectativa entre os norte-americanos pelo resultado, já que a votação vai mostrar qual partido irá controlar a Câmara e o Senado pelos próximos dois anos. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp ▶️ Contexto: Diferentemente do Brasil, o Congresso dos Estados Unidos é renovado parcialmente a cada dois anos. Quando ocorrem na metade do mandato presidencial, essas eleições são chamadas de midterms, ou eleições de meio de mandato. Os deputados norte-americanos têm mandatos de dois anos, enquanto os senadores, de seis. Com isso, a cada dois anos, o país renova toda a Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado. Sendo assim, desta vez, estarão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100. Os Estados Unidos não têm um órgão nacional como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável por coordenar as eleições em todo o país e totalizar os votos. Com isso, cada estado tem suas próprias regras. Em geral, a apuração começa assim que os locais de votação fecham. O horário varia de estado para estado. Na Flórida, por exemplo, a votação termina às 19h. Em Nova York, os eleitores têm até as 21h. No Tennessee, o horário varia de acordo com o condado. Em boa parte dos estados, a votação é feita em cédulas de papel. A contagem é feita por trabalhadores eleitorais, muitas vezes funcionários públicos. Tudo é fiscalizado pelos membros dos partidos políticos. Em caso de diferenças de votos muito pequenas entre dois candidatos, os partidos ou a própria Justiça solicita que uma recontagem seja feita para certificar o vencedor. Os primeiros resultados devem ser divulgados ainda na noite de terça-feira. No entanto, pode levar dias até que seja possível saber qual partido terá o controle da Câmara e do Senado. Nas midterms de 2022, por exemplo, a disputa pelo controle da Câmara só foi definida mais de uma semana após a eleição. A demora ocorreu, entre outros fatores, porque alguns estados levam mais tempo para contar os votos enviados pelo correio. Segundo a imprensa americana, campanhas arrecadaram mais de US$ 15 bilhões. Partidos investem para eleger deputados e senadores para o Congresso dos EUA.Como não há um órgão que centraliza a apuração de todo o país, esse trabalho costuma ser feito pela imprensa. Há quase 200 anos, a Associated Press é a principal fonte para agregar os dados das votações. A agência espalha centenas de repórteres em locais de contagem de votos e vai coletando resultados oficiais. Com base em dados estatísticos, a AP também costuma projetar quem venceu as eleições mesmo antes do fim da contagem dos votos. Veja, a seguir, um guia de perguntas e respostas sobre as eleições de 2026: O que são as midterms e por que elas têm esse nome? Quando será a eleição? Quais cargos estão em disputa? Trump não está nas urnas, mas por que essa eleição é crucial para ele? Como está a disputa pelo Senado? Como está a disputa pela Câmara? 1. O que são as midterms e por que elas têm esse nome? Midterms - Eleitora preenche cédula de votação em Harrisburg, na Pensilvânia (EUA) REUTERS/Mike Segar As midterms são as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Elas recebem esse nome porque acontecem na metade do mandato presidencial. As últimas eleições ocorreram em 2024. Trump tomou posse em janeiro de 2025, assim como os deputados e senadores eleitos naquele ano. Em novembro de 2026, Trump estará na metade do mandato presidencial, enquanto os deputados eleitos em 2024 e os senadores eleitos em 2020 estarão perto do fim do mandato. Os parlamentares eleitos nas midterms tomarão posse em janeiro de 2027. Trump não disputa a eleição, e o mandato presidencial dele termina em janeiro de 2029. A próxima eleição presidencial será em 2028. Na mesma data, haverá eleições para renovar todas as cadeiras da Câmara dos Representantes e cerca de um terço das vagas do Senado. Voltar ao início. 2. Quando será a eleição? A eleição está marcada para terça-feira (3). No entanto, a votação antecipada já começou em alguns estados, e parte dos eleitores já votou pelo correio. Voltar ao início. 3. Quais cargos estão em disputa? O presidente dos EUA, Donald Trump, faz o discurso do Estado da União no plenário da Câmara do Capitólio dos Estados Unidos Kevin Lamarque/Reuters O sistema eleitoral dos Estados Unidos tem diferenças importantes em relação ao brasileiro. No Congresso, por exemplo, o Senado e a Câmara dos Representantes seguem regras diferentes. No Senado, cada um dos 50 estados tem direito a duas cadeiras, independentemente do tamanho da população. Por isso, a Casa tem 100 senadores no total. Já na Câmara dos Representantes, as 435 cadeiras são distribuídas entre os estados de acordo com a população. Cada deputado representa uma região, chamada de distrito eleitoral. Nestas eleições, estão em disputa: Todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil. Os americanos também vão eleger 35 senadores. Ao todo, o Senado tem 100 cadeiras. Também haverá eleições para governador em 36 estados americanos. Voltar ao início. 4. Trump não está nas urnas, mas por que essa eleição é crucial para ele? O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa em um comício de campanha em apoio ao candidato republicano ao Senado, Mike Collins, e ao candidato a governador, Rick Jackson, em Dalton, Geórgia, EUA, em 16 de outubro de 2026 REUTERS/Kevin Lamarque Nas eleições de 2024, o Partido Republicano, o mesmo de Trump, conquistou a maioria das cadeiras da Câmara e do Senado. Com isso, a legenda passou a controlar a pauta e as votações nas duas Casas. Isso permitiu que Trump aprovasse pautas importantes para o governo dele. Ainda assim, ele enfrentou dificuldades, já que a maioria republicana é pequena e alguns parlamentares do partido contrariaram o presidente em votações. Agora, Trump quer manter a maioria para continuar tendo apoio no Congresso. Uma derrota na Câmara, no Senado ou em ambas as Casas poderia dificultar a aprovação de projetos do presidente e abrir espaço para os parlamentares barrarem ações do governo e abrir investigações. Para evitar o avanço democrata, Trump tem percorrido o país quase diariamente para participar de comícios eleitorais. Mais recentemente, prometeu pagar um bônus de até US$ 5 mil para cada adulto americano caso os republicanos vençam as eleições. Nos meses anteriores, o presidente também estimulou e apoiou mudanças nos mapas eleitorais para favorecer o próprio partido em alguns estados e garantir assentos na Câmara. Trump também adotou medidas para tentar restringir o voto pelo correio, alegando que há fraudes nesse modelo. Dados apontam que eleitores democratas são mais propensos a votar pelo correio do que os republicanos. Ainda assim, existe um alerta na Casa Branca. A poucos dias das eleições, pesquisas apontam que a desaprovação do presidente gira em torno dos 60%. Voltar ao início. 5. Como está a disputa para o Senado? Foto do Senado dos EUA, no Capitólio, em Washington, na madrugada de terça-feira, 8 de novembro de 2022 J. Scott Applewhite/AP Pesquisas e projeções recentes indicam que os democratas podem conquistar a maioria do Senado nas eleições de novembro. Atualmente, os republicanos têm 53 cadeiras na Casa, enquanto os democratas contam com 47 senadores, incluindo dois independentes que costumam votar junto com o partido. As projeções indicam que esse cenário pode mudar a partir de 2027. Veja a seguir. 📊 Center for Politics da Universidade da Virgínia O centro acadêmico acompanha as eleições nos EUA e reúne projeções sobre as disputas. Na última atualização, de 29 de outubro, o cenário era o seguinte: Democratas: 49 cadeiras Republicanos: 46 cadeiras Disputas indefinidas: 5 cadeiras 📊 Race to the WH A plataforma do jornalista político Logan Phillips projeta os resultados eleitorais com base em pesquisas. Em 30 de outubro, a previsão era a seguinte: Democratas: 53 cadeiras Republicanos: 47 cadeiras Chance de vitória dos democratas: 78,4% 📊 270toWin O site reúne projeções de diferentes fontes e apresenta cenários para a composição do Senado após as eleições. Na projeção consultada, o cenário era o seguinte: Democratas: 48 cadeiras Republicanos: 48 cadeiras Disputas indefinidas: 4 cadeiras Voltar ao início. 6. Como está a disputa para a Câmara? Câmara dos Representantes dos EUA. Office of the Speaker of the House De acordo com as pesquisas, o Partido Democrata é favorito para conquistar o controle da Câmara. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 19 de outubro apontou que 47% dos eleitores disseram que pretendem votar em um candidato democrata, enquanto 35% afirmaram que pretendem escolher um republicano. Atualmente, os republicanos têm 218 cadeiras na Casa, enquanto os democratas contam com 214 deputados. Há ainda um deputado independente e duas vagas em aberto. Assim como no Senado, as projeções indicam que esse cenário pode mudar a partir do ano que vem. Confira abaixo. 📊 Center for Politics da Universidade da Virgínia O centro acadêmico acompanha as eleições nos EUA e reúne projeções sobre as disputas. Na última atualização, de 27 de outubro, o cenário era o seguinte: Democratas: 225 cadeiras Republicanos: 193 cadeiras Disputas indefinidas: 17 cadeiras 📊 Race to the WH A plataforma do jornalista político Logan Phillips projeta os resultados eleitorais com base em pesquisas. Em 30 de outubro, a previsão era a seguinte: Democratas: 236 cadeiras Republicanos: 199 cadeiras Chance de vitória dos democratas: 95,2% 📊 270toWin O site reúne projeções de diferentes fontes e apresenta cenários para a composição da Câmara após as eleições. Na projeção consultada, o cenário era o seguinte: Democratas: 220 cadeiras Republicanos: 196 cadeiras Disputas indefinidas: 19 cadeiras Voltar ao início. VÍDEOS: agora no g1 Agora no g1