Mostra gratuita reúne 120 ‘ternos delirantes’ de Milton Cunha
Milton Cunha na exposição ‘Delírios e Brilhos da Sapucaí’ Thais Martins/Divulgação Parte do icônico figurino com que Milton Cunha traduz há décadas...
Milton Cunha na exposição ‘Delírios e Brilhos da Sapucaí’ Thais Martins/Divulgação Parte do icônico figurino com que Milton Cunha traduz há décadas o carnaval carioca é tema de uma exposição gratuita aberta nesta quinta-feira (22) no Rio de Janeiro. A mostra “Delírios e Brilhos da Sapucaí”, em cartaz na Academia Brasileira de Artes Carnavalescas (Abac), traz 120 ternos usados pelo apresentador e comentarista da TV Globo ao longo da carreira. A curadoria é assinada por Célia Domingues, pesquisadora e vice-presidente da Abac, que propõe um olhar artístico e antropológico sobre os ternos como extensões do corpo, da performance e do pensamento de Milton. “Esses ternos não são apenas roupas. São discursos visuais, narrativas de pertencimento, memória e celebração do carnaval como patrimônio cultural”, afirma Célia. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Brilho como linguagem Os ternos (hoje são mais de 300) começaram a ganhar protagonismo em 2013, quando Milton passou a investir de forma sistemática em coleções anuais, pensadas como conceitos visuais. “O Milton é sinônimo de alegria, de exuberância, e hoje é impossível falar de carnaval sem fazer referência a ele. Os ternos carregam essa essência, essa irreverência, principalmente por meio do brilho e das estampas, que já são uma assinatura dele”, diz Célia. As peças foram escolhidas a partir dos eventos nos quais foram usadas, criando uma espécie de linha do tempo visual da carreira do comentarista. Há ternos de transmissões do carnaval, participações em programas como o ‘Domingão do Huck’, campanhas publicitárias e eventos internacionais. “Essa exposição é um atestado de coragem”, diz Milton Cunha Divulgação ‘Um atestado de coragem’, diz Milton Para Milton Cunha, a exposição é mais do que uma celebração estética — é um gesto político e íntimo. “Essa exposição é um atestado de coragem. Porque através dessas roupas eu fui eu, eu sou eu. Não é só usar a roupa. É o espírito seguir junto com o espalhafato”, diz. Aos 63 anos, Milton revisita sua trajetória sem arrependimentos. Desde a infância, em Belém, no Pará, questionou padrões de gênero, comportamento e aparência. Saiu do Norte, nos anos 1980, já rompendo com códigos tradicionais — cabelo moicano, ombreiras gigantes, estética performática. “Eu sempre fui um ET, mas um ET felicíssimo. Eu não queria fazer mal pra ninguém. Eu só queria ser feliz”, afirma. Nos ternos bordados, coloridos e exuberantes, ele vê materializada a liberdade de quem nunca negociou a própria identidade. “O dono do teu corpo é tu. Se tu quiser se enfeitar, se monta. Se não quiser, tá tudo certo. Mas não vem com cinza pra cima de mim, não. Eu quero ‘over the rainbow’”. Durante o período da mostra, o público poderá circular livremente pelo espaço e observar de perto os bordados, tecidos, recortes e excessos que fazem dos ternos de Milton Cunha uma das imagens mais reconhecíveis do carnaval contemporâneo. Além disso, o telespectador poderá usar 4 ternos do artista para tirar fotos. Serviço Exposição: Delírios e Brilhos da Sapucaí Quando: de 22 de janeiro a 10 de fevereiro Onde: Academia Brasileira de Artes Carnavalescas (ABAC) 📍 Travessa do Ouvidor, nº 9 – Centro do Rio Horários: Segunda a sexta: 10h às 18h. Sábado: 10h às 16h. Entrada: Gratuita Classificação: Livre Milton Cunha fala sobre a origem do Carnaval como manifestação artística