ONU critica absolvição de homem por estupro de menina de 12 anos em MG

TJ-MG absolve homem de 35 anos por estupro contra menina de 12 anos O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Fundo de População das Nações U...

ONU critica absolvição de homem por estupro de menina de 12 anos em MG
ONU critica absolvição de homem por estupro de menina de 12 anos em MG (Foto: Reprodução)

TJ-MG absolve homem de 35 anos por estupro contra menina de 12 anos O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e a ONU Mulheres divulgaram nota manifestando “profunda preocupação” com a decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que absolveu um homem de 35 anos acusado de estuprar uma menina de 12 anos. "O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Constituição Federal e os compromissos internacionais assinados pelo Brasil são indiscutíveis: qualquer relação sexual com menores de 14 anos é estupro de vulnerável. Não importa a situação, nem o aval da família, nem um suposto consentimento", diz a nota. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou o homem acusado de estuprar uma menina de 12 anos, em abril de 2024. A adolescente estava morando com ele com autorização da mãe e havia deixado de frequentar a escola. A mãe também foi denunciada por omissão (entenda o caso mais abaixo). As entidades citam o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Constituição Federal e compromissos internacionais assumidos pelo Brasil como bases que garantem proteção integral a crianças e adolescentes. O comunicado destaca ainda que menores de 14 anos não possuem desenvolvimento cognitivo que permita consentimento e que, pela legislação brasileira, pessoas com menos de 16 anos não podem se casar ou praticar determinados atos da vida civil. “Criança nunca é esposa. É vítima”, afirmam. De acordo com as agências da ONU, a violência sexual e o casamento precoce provocam impactos duradouros no desenvolvimento físico, emocional e social de meninas e meninos. O texto ressalta que o caso não é isolado e que o Brasil registra índices elevados de violência sexual contra crianças e adolescentes. Segundo a ONU, entre 2021 e 2023, foram contabilizados mais de 164 mil casos de estupro ou estupro de vulnerável envolvendo vítimas de zero a 19 anos no país. A maioria das ocorrências atinge meninas e acontece dentro de casa, praticada por pessoas conhecidas da vítima ou da família. As organizações defendem que o enfrentamento da violência depende da atuação conjunta de diferentes setores da sociedade e da aplicação efetiva das leis e políticas públicas voltadas à infância e adolescência. Também destacam a importância de capacitar integrantes do Sistema de Garantia de Direitos, inclusive do Judiciário, além do papel das escolas e dos Conselhos Tutelares na identificação e denúncia de casos. UNICEF, UNFPA e ONU Mulheres informaram que vão seguir acompanhando o caso e se colocaram à disposição do governo brasileiro para colaborar com ações que garantam que crianças e adolescentes cresçam livres de qualquer tipo de violência. LEIA TAMBÉM: Relator que absolveu réu por estupro de vulnerável é investigado pelo CNJ por abuso sexual Entenda caso de homem de 35 anos absolvido após ser condenado por estupro contra menina de 12 'Decisão não é fato isolado', diz desembargadora que foi voto vencido na absolvição de acusado de estupro Entenda o caso O MPMG havia oferecido denúncia contra o suspeito em abril de 2024 por estupro de vulnerável devido à "prática de conjunção carnal e de atos libidinosos" contra a vítima. A mãe da menina também foi denunciada porque teria se omitido mesmo tendo ciência dos fatos. Segundo as investigações, a adolescente estava morando com o homem, com autorização da mãe, e tinha deixado de frequentar a escola. O suspeito foi preso em flagrante no dia 8 de abril de 2024. Na delegacia, ele admitiu que tinha relações sexuais com a vítima. A mãe dela afirmou que deixou o homem "namorar" a filha. Em novembro de 2025, os dois foram condenados pela 1ª Vara Criminal e da Infância e da Juventude da Comarca de Araguari a prisão. Eles recorreram e, por maioria de votos, a 9ª Câmara Criminal do TJMG decidiu pela absolvição de ambos. Publicação da nota no site da ONU Mulheres repudiando a decisão do TJMG. ONU Mulheres Brasil Vídeos mais vistos no g1 Minas Gerais