Perfil da abstenção no RJ: jovens de 21 a 24 anos foram os que mais faltaram às urnas entre eleitores com voto obrigatório no 1º turno
Abstenções nas eleições do RJ: análise revela faixas etárias e locais com menor comparecimento Os eleitores de 21 a 24 anos tiveram a maior taxa de abstenção no...
Abstenções nas eleições do RJ: análise revela faixas etárias e locais com menor comparecimento
Os eleitores de 21 a 24 anos tiveram a maior taxa de abstenção no primeiro turno no estado do Rio entre as faixas etárias com voto obrigatório: 23,42%. O dado faz parte de um levantamento do RJ2, com informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que mostra o perfil de quem não compareceu às urnas em 4 de outubro.
O levantamento também identificou uma concentração de locais com baixa participação no Centro da capital: cinco dos dez locais de votação com menor comparecimento na cidade ficam na região. No Colégio Pedro II, no Centro, a abstenção chegou a 46%.
Maiores índices de abstenção foram na região do Centro do Rio
Reprodução/TV Globo
Outros três locais desse grupo ficam em Copacabana, na Zona Sul, e dois em Inhaúma, na Zona Norte.
Em todo o estado, 2.997.846 eleitores deixaram de votar, o equivalente a 23,32% do eleitorado. Foi a segunda maior taxa do país, atrás apenas de Mato Grosso do Sul, com 23,87%. A média nacional foi de 21,08%.
Taxa de abstenção no RJ foi a segunda maior do Brasil no primeiro turno
Reprodução/TV Globo
Ausência aumenta entre idosos
Entre os eleitores idosos, que não são obrigados a votar, os índices de abstenção aumentam conforme a idade avança. Na faixa de 70 a 74 anos, 34,4% não compareceram. Entre 75 e 79 anos, foram 52,7%.
Nas faixas de 80 a 89 anos e de 90 a 99 anos, as médias chegaram a 74% e 94,9%, respectivamente.
Faixa etária da abstenção:
Índice de abstenção no RJ a partir dos 70 anos
Reprodução/TV Globo
21 a 24 anos: 23,42%
70 a 74 anos: 34,4%
75 a 79 anos: 52,7%
80 a 89 anos: 74%, em média
90 a 99 anos: 94,9%, em média
A menor taxa de abstenção é dos eleitores de 18 anos: 10,68%.
Eleitores de 18 anos foram os que menos deixaram de votar no RJ este ano
Reprodução/TV Globo
Para a professora de Ciência Política da UFRJ Mayra Goulart, o perfil etário da população precisa ser considerado na análise das ausências, especialmente entre os eleitores para os quais o voto é facultativo.
“O Rio de Janeiro, capital, tem uma população envelhecida, então a gente tem que ver um pouco essas contas da pirâmide etária. Os mais novos e os mais velhos podem ter índices de abstenção maior, principalmente nos casos em que o voto é facultativo e não obrigatório”, diz.
Abstenção não significa apenas desinteresse
Segundo Mayra, os números não podem ser atribuídos somente à falta de interesse pela eleição. Problemas no cadastro eleitoral e dificuldades para chegar aos locais de votação também ajudam a explicar a abstenção.
“A abstenção junta muitos fatores diferentes, não só o eleitor pouco mobilizado, desinteressado, porque a eleição tem muita briga, está muito polarizada, mas também problemas de cadastro, cadastro desatualizado”, afirma.
A professora destaca ainda os obstáculos de deslocamento enfrentados por parte do eleitorado.
"Tem muitas pessoas que têm dificuldade de chegar até o local onde elas exercem seu voto. Existem regiões em que a mobilidade é mais difícil. Existem pessoas com mobilidade mais difícil.”
Mangaratiba lidera; na capital, um em cada quatro não votou
Mangaratiba, na Costa Verde, teve a maior taxa de abstenção entre os municípios fluminenses: 26,71%. Em seguida aparecem Valença, com 26,22%, e a cidade do Rio, com 26,12%.
Na capital, 1.293.714 eleitores não foram às urnas — mais de um quarto do eleitorado da cidade.
Veja os cinco municípios com os maiores percentuais:
Mangaratiba: 26,71%
Valença: 26,22%
Rio de Janeiro: 26,12%
São Francisco de Itabapoana: 25,94%
Petrópolis: 24,17%
Segundo turno costuma ter mais ausências
Histórico de abstenção no segundo turno até 2022 no RJ
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O levantamento também mostra que, historicamente, a abstenção no segundo turno no estado fica acima da registrada na primeira etapa. A exceção, no período analisado, foi 2022, quando o índice caiu.
Veja os percentuais de ausência no segundo turno:
2002: 16,95%
2006: 17,35%
2010: 21,03%
2014: 22,36%
2018: 24,06%
2022: 22,25%
Quem não votou no 1º turno pode votar no 2º
Quem faltou ao primeiro turno pode votar normalmente no domingo (25), mesmo sem ter justificado a ausência, desde que o título não esteja cancelado ou suspenso. O prazo para apresentar a justificativa referente à primeira etapa vai até 3 de dezembro.
O presidente do TRE-RJ, Claudio de Mello Tavares, recomenda consultar o local de votação com antecedência.
“É importante também que o eleitor, antes de sair de casa, verifique se o seu local de votação modificou”, afirma.
A consulta pode ser feita no site do TRE-RJ ou pelo aplicativo e-Título.
Para quem tem voto obrigatório, faltar a três turnos consecutivos sem justificar as ausências nem pagar as multas correspondentes pode levar ao cancelamento do título. Essa regra não se aplica aos eleitores com voto facultativo.