Polícia do Rio desarticula quadrilha que roubava medicamentos contra o câncer e os revendia a hospitais

Bandidos roubam remédios para câncer. Reprodução/Jornal Nacional A Polícia do Rio de Janeiro desarticulou uma quadrilha que roubava medicamentos contra o c...

Polícia do Rio desarticula quadrilha que roubava medicamentos contra o câncer e os revendia a hospitais
Polícia do Rio desarticula quadrilha que roubava medicamentos contra o câncer e os revendia a hospitais (Foto: Reprodução)

Bandidos roubam remédios para câncer. Reprodução/Jornal Nacional A Polícia do Rio de Janeiro desarticulou uma quadrilha que roubava medicamentos contra o câncer e revendia os produtos a hospitais do país nesta terça-feira (21). O grupo criminoso atuava em quatro estados e movimentou mais de R$ 30 milhões em apenas um ano. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Imagens obtidas pela polícia mostram que a ação criminosa começou após um homem de capacete branco, ao lado de uma motocicleta, sinalizar para integrantes da quadrilha que estavam em um carro branco. Em seguida, os criminosos bloquearam uma bifurcação da via e renderam a equipe responsável pela escolta da carga com armas de fogo. Sob ameaça, o motorista foi obrigado a seguir até o Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio. Empresas de fachada e venda para hospitais Na operação desta terça-feira (21) no Complexo da Maré, traficantes da facção Terceiro Comando Puro atearam fogo em barricadas. Segundo a polícia, eles forneciam armas utilizadas nos assaltos. De acordo com os investigadores, após os roubos, os medicamentos eram encaminhados para uma rede com mais de 25 empresas de fachada. Os produtos recebiam notas fiscais falsas e eram vendidos a hospitais públicos e privados. Algumas dessas empresas chegaram a vencer licitações ao oferecer preços mais baixos. "A investigação mostrou que o grupo usava tanto empresas recém-criadas quanto empresas antigas e até falidas, colocadas em nome de laranjas para dar credibilidade à negociação dos medicamentos roubados", diz o delegado Luiz Eduardo Moura. Segundo a investigação, o Complexo da Maré funcionava como um centro de distribuição da quadrilha. Na comunidade as cargas roubadas eram separadas antes de seguir para os receptadores. A região é estratégica pro grupo criminoso porque fica próxima à Linha Amarela, à Linha Vermelha e à Avenida Brasil. Corredores por onde circula um grande volume de veículos de carga. O complexo é formado por 16 favelas. No território, os traficantes impõem o domínio armado e restringem os direitos de quem vive ali, assim facilitando a ação da quadrilha. Ação dos criminosos gravada por câmeras Segundo a investigação, a carga roubada foi levada para o Complexo da Maré, onde os criminosos fizeram o transbordo dos medicamentos para outro caminhão. Imagens obtidas pela polícia mostram que o motorista foi cercado pelos assaltantes e obrigado a indicar onde estavam os remédios para tratamento de câncer. Os investigadores afirmam que Ronald Gonçalves da Silva, conhecido como Talarico, acompanhou a operação e conferiu a documentação da carga durante o transbordo. Ronald é apontado como responsável por coordenar os assaltos, ele está foragido. De acordo com a polícia, Ronald fotografava as notas fiscais dos produtos e enviava os documentos para Fernanda Rodrigues França, presa na operação desta terça-feira. Ela era monitorada pelos investigadores, assim como Umberto Xavier de Lima, outro alvo preso. Segundo a investigação, os dois recebiam os medicamentos roubados e os encaminhavam ao núcleo responsável pela venda em outros estados. A investigação também monitorou parte dessas remessas. Em um dos casos, segundo a polícia, Umberto falsificou notas fiscais em nome de um hospital público do Rio de Janeiro e vendeu os produtos para um hospital em Brasília. A carga foi filmada saindo do Aeroporto do Galeão e apreendida na chegada ao Aeroporto Juscelino Kubitschek. "A investigação indicou com muita robustez que essa quadrilha fornecia medicamentos roubados e acondicionados de forma completamente indevida. Esses produtos eram ministrados a pacientes terminais, pessoas que estão lutando pela vida", diz o delegado André Prates. Prisões dos chefes do esquema Segundo os investigadores, Stefano Mantovani Fernandes era o chefe do esquema. Ele foi encontrado em um flat em Santo André, na Grande São Paulo. No carro de luxo dele, a polícia apreendeu medicamentos roubados no início do mês nas proximidades de Campinas. A carga foi avaliada em R$ 4 milhões. Stefano já foi preso e condenado outras vezes pelo mesmo crime nos últimos 17 anos. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional Também em São Paulo, policiais localizaram Carlos Roberto Fernandes, apontado como um dos sócios de Stefano. Embora fosse alvo apenas de um mandado de busca e apreensão, ele acabou preso depois que os agentes encontraram armas sem registro na casa dele. Ao todo, quase 100 mandados de busca e apreensão foram cumpridos no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belém e Goiânia. "Essa investigação não trata apenas de roubo de carga, mas de uma ameaça direta à vida de pacientes oncológicos. É impensável que criminosos busquem lucro ultrapassando qualquer barreira do aceitável", diz o delegado Luiz Eduardo Moura. Procuradas pelo JN, a defesa dos suspeitos não responderam ao contato.